350 mil foliões no Carnaval de Torres Vedras

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O Rei do Carnaval de Torres Vedras, Ricardo Miranda dos Santos, “abriu as portas do seu castelo” e, em entrevista exclusiva à Travel4West, falou sobre o seu reinado que dura há 12 anos e garantiu que, uma vez mais, Torres Vedras vai estar ao rubro. Os cerca de 350 mil foliões vão brincar sob o tema “Mares & Oceanos”. Visite o Carnaval mais português de Portugal, entre os dias 9 e 14 de fevereiro. 

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Travel4West – É Rei do Carnaval de Torres Vedras há quanto tempo?

Ricardo Miranda dos Santos (RMS) – O convite surgiu há 12 anos por parte da antiga Rainha (Alfredo Reis), no ano em que os anteriores monarcas abdicaram do trono. Foi um convite inesperado porque para além de ser muito novo, tinha 27 anos na altura, os antigos reis eram para mim ‘Os Reis’, um dos quais (o Rei) o meu pai! É um verdadeiro orgulho e privilégio representar o nosso Carnaval.

T4W – É fácil ou difícil a vida de Rei?

RMS – “Quem corre por gosto não cansa” e o maior desafio talvez seja estar sempre e a toda a hora disponível para o que seja necessário. A agenda é extensa, muito preenchida, e como qualquer torreense não abdico de brincar, estar com os amigos, rir, dançar e viver como folião, pois acho que esse é o espírito da festa que conto os dias para que comece.

“No Carnaval de Torres Vedras a única regra existente é não haver regra! Cada um é livre de satirizar o que quiser e como quiser!”

T4W – O Carnaval de Torres Vedras é organizado por uma determinada entidade?

RMS – Sim! Temos uma entidade do Carnaval, a Real Confraria do Carnaval de Torres, que zela por manter as tradições relacionadas com o Carnaval, composta por um grupo de pessoas, a grande maioria com muita experiência de Carnaval, que são consultados nesta escolha. Os grupos de Carnaval mais emblemáticos da cidade/concelho são igualmente consultados.

T4W – O Rei do Carnaval de Torres Vedras lida bem com a presença das matrafonas?

 RMS – A Matrafona é em grande parte o símbolo do nosso Carnaval. A Rainha que me acompanha durante toda a festa, é uma Matrafona e a qual eu considero o símbolo maior do nosso Carnaval: a Rainha de todas as Matrafonas!

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T4W – Como descreve o Carnaval de Torres Vedras?

RMS – O Carnaval não se descreve, sente-se e vive-se. Gosto sempre de dizer que o Carnaval é uma festa de amigos para amigos e é essa essência que tem sido a chave do sucesso!

T4W – Em média, quantas pessoas brincam o Carnaval em Torres Vedras?

RMS – Existem alguns números lançados pelas entidades responsáveis estimando cerca de 350 mil visitantes ao longo do Carnaval, tendo o recinto do Corso no centro da cidade, capacidade para cerca de 40 mil pessoas em cada evento.

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Diogo Amaro: jovem castiço alenquerense vira produtor de queijo

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A arte do pastoreio não está ligada apenas aos mais idosos. Exemplo disso mesmo, é o caso do Diogo Amaro, um jovem alenquerense que viu na Agricultura e no Pastoreio a sua forma de viver.

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O seu dia-a-dia é bem preenchido porque o todo seu tempo gira em torno dos seus animais que tanto estima: mais de 100 cabras.

O jovem Diogo acorda cedo e o seu dia começa com a ida das cabras em lactação para a sala de ordenha para, posteriormente, começar a ordenhar. Depois, prepara a coalhada. De seguida, com ajuda da avó materna começa a fazer o queijo de cabra. Normalmente, fica pronto à hora do almoço. A tarde é passada em pastoreio pela Serra de Montejunto. À noite faz a entrega dos queijos curados aos clientes.

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A Serra de Montejunto é a “sua casa”. É lá que se sente livre com os seus animais. É também lá que encontra energia para desenvolver o seu projeto que está relacionado com a construção de uma queijaria.

O seu espírito empreendedor está a motivá-lo cada vez mais e o jovem castiço está já a fazer os possíveis e os impossíveis para tornar o seu sonho em realidade.

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Neste preciso momento, aguarda apenas a conclusão de questões burocráticas para vir a ter aquela que será a primeira queijaria de Alenquer.

A Câmara Municipal de Alenquer, segundo Diogo Amaro, “está a ajudar a 100% em todos os aspetos”. Mas, neste momento, “quem quiser adquirir o meu queijo basta entrar em contacto comigo, dado que semanalmente, em média, são já produzidos cerca de 250 queijos de cabra”.

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Diogo Amaro vive em prol do seu sonho e, ao mesmo tempo, é um jovem livre que vê na simplicidade a sua maior conquista. Vive em plena comunhão com a Natureza e as suas “cabras” são as suas maiores amigas.

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Diariamente não enfrenta o trânsito nem a confusão da cidade porque a Serra de Montejunto é a varanda da Estremadura e é lá que Diogo Amaro se sente um homem feliz!

Foto Diogo Amaro

CANTAR OS REIS: uma das maiores tradições do concelho de Alenquer

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O dia de Reis está a chegar e o CANTAR OS REIS no concelho de Alenquer também está prestes a começar. Esta é uma das tradições concelhias mais antigas.

Basta percorrer um pouco do concelho de Alenquer para verificar a existência de desenhos característicos pintados nas paredes das casas. É costume pintarem-se estrelas, flores, corações e vasos.

Junto dos desenhos são colocadas algumas siglas, como é o caso, por exemplo Bons Reis (BR), Bons Reis Magos (BRM), Bons Reis – Viva a República (Bons Reis – Viva a República), Boas Festas (BF).

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Normalmente, os desenhos são feitos a duas cores: o vermelho e o azul. Estas cores isoladas têm um significado próprio: o vermelho é a vida e a alegria e o azul é a tristeza. Por exemplo, nas casas onde há luto não se usa a cor vermelha.

Anualmente, nas diversas localidades do concelho de Alenquer, juntam-se vários grupos de pessoas que passam a noite a cantar e a pintar às portas.

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Estes grupos ou “sociedades” surgem de forma espontânea nas suas respetivas terras. Formam-se apenas na véspera ou no próprio dia. Não precisam de ensaiar. Cada membro da comunidade sabe o que tem a fazer.

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Chegada a hora todos ocupam as suas posições e o Cantar dos Reis inicia-se. Importa fazer referência para o facto de que cada localidade tem o seu próprio Canto dos Reis.

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Não obstante as transformações e diferenças encontradas de terra para terra na forma de Cantar os Reis, no fundo da tradição permanece e é comum a todas as aldeias que celebram anualmente esta festividade do ciclo de inverno no concelho de Alenquer.

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