Marlin Fins: quilhas com materiais recicláveis e reutilizáveis desenvolvidas no Oeste e produzidas para o mundo


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A Marlin Fins, uma marca de quilhas de surf produzidas através do uso de plástico reciclável e reutilizável, foi criada por José Caiado Galego, em 2013. O antigo campeão nacional de remo, que é amante de todos os desportos náuticos, decidiu que era o momento certo para desenvolver um produto único e inovador. “A ideia passa por reduzir o consumo das tradicionais quilhas de fibra, altamente poluentes e não recicláveis. O planeta agradece e os oceanos também”, explica José Caiado Galego, sublinhando que “as quilhas da Marlin Fins são ecológicas, duradouras e apresentam uma performance excelente”.

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Travel4West – A Marlin Fins foi criada há cinco anos. O que o levou a desenvolver uma marca ligada à produção e ao comércio de quilhas de surf?

José Caiado Galego (JCG) – O objetivo, inicialmente, passava apenas por produzir quilhas de surf para vender na loja da minha filha, a Peniche Surfshop. Como possuía muitos conhecimentos sobre a forma de fabrico e também sobre os materiais que são usados decidi que iria avançar com a ideia para a ajudar. Comecei a realizar algumas pesquisas e constatei que não havia nenhum português nem nenhum europeu a produzir quilhas. Perante este facto, de imediato, tomei a decisão de que iria criar uma marca e passaria a produzir e comercializar quilhas de surf. Assim surgiu a Marlin Fins!

T4W – O plástico foi o material de eleição para iniciar o projeto?

JCG – Na altura, o material de eleição para a produção das quilhas era o plástico. Mas, com o passar do tempo, tomei uma segunda decisão que estava ligada com a vertente ecológica. Ou seja, as quilhas da Marlin Fins passariam a ser produzidas apenas com plástico reciclado e reutilizável. Não há dúvida nenhuma de que as quilhas de plástico apresentam uma performance fantástica. O sucesso só é alcançado porque o plástico é uma matéria-prima fabulosa e pode ser trabalhada de várias formas. O plástico reciclado que é utilizado nas quilhas da Marlin Fins resulta da indústria automóvel e da construção de máquinas.

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T4W – Porquê o nome Marlin Fins?

JCG – A razão é simples… é um tributo ao mais veloz e poderoso peixe do Oceano Atlântico – o grande blue Marlin. O nome Marlin ficou para sempre retido no meu imaginário, pois ainda criança tive a sorte de ler o clássico de Ernest Hemingway (O velho e o Mar) que descrevia a luta de dias a fio de um velho pescador cubano, sozinho no seu frágil barquito perdido na imensidão do oceano para capturar um destes extraordinários peixes guerreiros. É com esse ensinamento de perseverança contra as adversidades, personificado no pescador Santiago, que tento enfrentar o meu desafio: fazer da Marlin Fins uma marca portuguesa confiável, versátil e económica. 

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T4W – A Marlin Fins preocupa-se com o meio ambiente?

JCG – Sem dúvida! A aposta da Marlin Fins em só trabalhar com polímeros (vulgarmente chamados de plástico), é porque esta extraordinária matéria-prima de possibilidades quase ilimitadas, tem vindo paulatinamente a substituir, com vantagem, todas as outras. Ora mole ora rígida ora elástica ora tenaz quase desconhece a palavra impossível nas suas múltiplas aplicações. Além disso é abundante, barata, reciclável reutilizável, moldável a baixas temperaturas (200º) e já é hoje biodegradável. As quilhas velhas ou partidas, serão sempre recicladas pela Marlin Fins e darão lugar a umas novas, com perdas insignificantes de material. A ideia passa por reduzir o consumo das tradicionais quilhas de fibra, altamente poluentes e não recicláveis. O planeta agradece e os oceanos gritam yes!

Em média, são vendidos 600 conjuntos de quilhas de surf da Marlin Fins. Cada conjunto é composto, na sua grande maioria, por três/quatro quilhas.

T4W – As quilhas de surf da Marlin Fins estão disponíveis a nível nacional e internacional?

JCG – Sim! Para além de Portugal, as quilhas da Marlin Fins já se encontram disponíveis em Espanha, no Reino Unido, em França, na Suíça e na Austrália. Na grande maioria, as quilhas podem ser adquiridas em diversas lojas destes respetivos países. No entanto, é de salientar que também existem pequenos distribuidores que as colocam à disposição de todos os interessados. Numa altura em que a internet faz parte do dia a dia da população, é claro que as quilhas de surf da Marlin Fins podem ser adquiridas através da plataforma online da marca (www.marlinfins.com).

A cada 30 segundos conseguimos produzir um conjunto de três quilhas. Trata-se de um sistema autónomo, muito rápido e 100% eficaz. 

T4W – Em média, qual é o custo de venda ao público de um conjunto de três quilhas?

JCG – Um conjunto de três quilhas de surf da Marlin Fins custa 27 euros. Trata-se de um investimento extremamente pequeno, dada a durabilidade das quilhas e a performance das mesmas.

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T4W – Qual tem sido o feedback obtido por parte dos portugueses e dos estrangeiros relativamente às quilhas da Marlin Fins?

JCG – O feedback tem sido excelente. No início a luta foi extremamente dura, devido essencialmente ao tipo de material usado, mas hoje em dia essa é uma questão que não se coloca e sinto-me extremamente feliz com os resultados obtidos através da realização de alguns testes realizados com as quilhas da Marlin Fins. Não há a menor dúvida de que estas quilhas apresentam uma performance melhor do que muitas outras existentes no mercado.

T4W – Recentemente, a Marlin Fins também apostou na decoração das quilhas através da arte desenvolvida por verdadeiros artistas?

JCG – A Marlin Fins lançou há um ano, na etapa portuguesa da World Surf League (WSL), decorrida na praia dos Supertubos – em Peniche, o projeto “Arting Fins”. A iniciativa tinha e tem como principal objetivo mostrar o trabalho dos artistas através da pintura de quilhas de surf. Passado um ano, o feedback tem sido fantástico. As quilhas que fazem parte do projeto “Arting Fins” não estão disponíveis para efeitos comerciais, mas visam essencialmente mostrar ao país e ao mundo o trabalho que é realizado por verdadeiros artistas. Diria que são quilhas com arte e com história. Quando o projeto foi apresentado apenas possuíamos 30 quilhas pintadas, mas atualmente já dispomos de mais de 70.

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T4W – Quais são as perspetivas traçadas para o futuro da Marlin Fins?

JCG – O nível de desenvolvimento a que se chegou, e a menos que haja alguma revolução, (sempre possível) prevemos que os atuais formatos disponíveis no mercado continuarão ainda uns bons anos sem alterações de monta. A Marlin Fins, uma marca criada no Oeste (Baleal), irá ser uma enorme referência a nível nacional e internacional.

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